Rumos da economia preocupam especialistas ouvidos em debate

Abr 11

Nona economia mundial, pior distribuição de renda, 79º lugar no ranking dos direitos humanos

Especialistas ouvidos pela Comissão Senado do Futuro nesta segunda-feira (9) mostraram-se preocupados sobre os rumos que o país está seguindo para recuperar e fortalecer sua economia. O diretor em Brasília da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Carlos Mussi, disse que, se o Brasil não fizer reformas, especialmente a da Previdência, continuará desigual e sem grandes perspectivas para as futuras gerações. Já a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, defendeu que a real mudança só virá com transformações estruturais na política econômica, que enfrentem, por exemplo, a desigualdade na distribuição de renda.

— Nona economia mundial, pior distribuição de renda, 79º lugar no ranking dos direitos humanos. Enquanto isso aqui não mudar, nós não podemos parar de lutar, de denunciar esse modelo, essa opção equivocada — disse a economista.

Maria Lucia advertiu que, com a Emenda Constitucional 95/2017, que estabeleceu o teto de gastos no setor público, o crescimento da dívida está engolindo todos os recursos que seguiriam para educação, saúde, transportes, defesa e obras, entre outras áreas. Ela afirmou que a dívida continua crescendo a um ritmo vertiginoso: o país gastou cerca de R$ 1 trilhão com a dívida pública em 2014, enquanto o Orçamento da União para 2018 prevê um gasto de R$ 1,7  trilhão.

— E isso não inclui todas as manobras contábeis que estamos descobrindo com o uso de títulos públicos [pelo governo] — disse.

A economista acusa o Executivo de mascara as operações com títulos para "não tornar público o que está sendo desviado do Orçamento para alimentar o sistema financeiro".

Já o representante da Cepal afirmou que, em termos internacionais, a dívida pública brasileira não está entre as mais elevadas, embora seja a maior na América Latina. O problema, segundo ele, são as altas taxas de juros, que agravam o endividamento.

Carlos Mussi defendeu a necessidade de o país fazer reformas, como a da Previdência, para se aproximar dos índices de produtividade e desenvolvimento humano dos países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

— Hoje as crianças brasileiras são muito mais pobres do que a média da OCDE — ressaltou.

O presidente da Comissão Senado do Futuro, senador Hélio José (Pros-DF), ao ler comentários dos internautas que enviaram mensagens à audiência pública interativa, lembrou que a contenção de recursos do Orçamento da União pelo governo está prejudicando áreas como a de energia.

— O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de silício, que é matéria-prima da confecção das placas fotovoltaicas. Igualmente é um país com 30% mais recebimento de luz solar que a China. Entretanto, a produção mundial de placas fotovoltaicas para energia solar está concentrada na China, e o Brasil está importando as placas — disse.

Hélio José e Maria Lucia Fatorelli também criticaram a Medida Provisória 814/2017, que permite a privatização da Eletrobras e suas subsidiárias. Para o senador, a MP terá como consequência a privatização dos rios que abastecem as usinas hidrelétricas.

Autor do requerimento para o debate, o parlamentar avaliou ainda que o momento político conturbado tem aumentado as incertezas econômicas do país. A pesquisa Focus do Banco Central projeta um crescimento da economia brasileira de 2,8% neste ano e de 3% em 2019.

Também participaram do debate o presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Julio Miragaya, o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do CNPq José Luís da Costa Oreiro, e o presidente da União Planetária, Ulisses Riedel.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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